A All Nippon Airways (ANA), a maior companhia aérea do Japão, está a atravessar uma das maiores transformações da sua história recente. Em 2026, o grupo ANA Holdings avança com uma reorganização profunda da sua divisão de carga aérea, ao mesmo tempo que estreia uma nova liderança no topo da empresa. As mudanças têm implicações diretas para expedidores, transitários e operadores logísticos que trabalham com rotas entre a Ásia, a Europa e a América do Norte.
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ANA Holdings integra a Nippon Cargo Airlines numa única estrutura de carga aérea
Após a aquisição da Nippon Cargo Airlines (NCA) concluída em agosto de 2025, o grupo ANA Holdings anunciou formalmente, a 27 de março de 2026, a fusão da NCA, da NCA Japan e da ANA Cargo numa única entidade. O objetivo é consolidar toda a operação de carga do grupo sob uma estrutura unificada, mais ágil e orientada para o crescimento.

A reorganização decorre em duas fases. A partir de 1 de abril de 2026, foram dados os primeiros passos concretos: unificação das estruturas de vendas internacionais e consolidação das operações de armazém entre a ANA e a NCA. A segunda fase — a fusão formal das três entidades numa só empresa — estará concluída a 1 de abril de 2027, altura em que a Nippon Cargo Airlines continuará como entidade operacional, mantendo a sua licença de transporte aéreo e o respetivo certificado de operador aéreo.
Em termos de frota combinada, o grupo passa a dispor de uma capacidade considerável: a ANA opera cargueiros Boeing 767 e Boeing 777, enquanto a NCA conta com uma frota de Boeing 747-8, predominantemente utilizada em rotas transpacíficas — uma combinação que reforça significativamente a cobertura de longo curso.
O grupo tem como meta atingir 30 mil milhões de ienes em efeitos de integração e sinergias, no âmbito da sua Estratégia Corporativa de Médio Prazo, com o objetivo declarado de se tornar o principal operador de modelo combinado (passageiros + carga) de toda a Ásia.
O que se vai passar com os clientes
Para os clientes de carga — sejam expedidores diretos ou transitários — a mudança mais imediata é a simplificação do acesso à rede. A partir de abril de 2026, passa a existir um único ponto de contacto comercial para toda a rede combinada ANA + NCA, independentemente de qual das transportadoras opera o voo.
A nível operacional, as operações de armazém em território japonês estão a ser fundidas, começando pelos aeroportos de Chubu Centrair e Kansai, onde passa a existir um único local para recolha e entrega de carga. A consolidação das operações no exterior arranca pelas chegadas de carga no Aeroporto Internacional de Chicago O’Hare.
O grupo aponta para uma experiência mais coerente e eficiente para os clientes: preços alinhados em toda a rede, melhor consistência na execução em terra e acesso simplificado à capacidade combinada de freighters e porões de passageiros.
ANA e Nippon Cargo Airlines passam a ter uma única rede na América do Norte
Na América do Norte, a integração já é uma realidade operacional. A ANA e a NCA alinharam vendas e preços, passando a comercializar uma rede única para todos os destinos da sua cobertura combinada. Para os clientes de carga nos EUA, as duas empresas funcionam, na prática, como uma só.
Segundo Shawn McWhorter, presidente da NCA Americas, “todas as atividades de vendas nos EUA estão alinhadas e operamos virtualmente como uma única empresa.” A integração de sistemas — a última peça do puzzle — está prevista para meados de 2027.
Novo CEO e mudança de liderança na ANA
Paralelamente à reorganização da carga, o grupo estreou também uma nova liderança. A partir de 1 de abril de 2026, Juichi Hirasawa assumiu as funções de Presidente e CEO da All Nippon Airways, sucedendo a Shinichi Inoue.

Hirasawa traz para o cargo uma experiência marcada pelas relações institucionais e pela cooperação regulatória — áreas com impacto direto na estratégia de rede, nos direitos de tráfego internacionais e na capacidade de carga alocada a determinadas rotas. Para os operadores logísticos, esta orientação sugere uma postura mais atenta ao enquadramento regulatório internacional e à resiliência das cadeias de abastecimento.
A mudança de liderança acontece num momento de intensa pressão sobre os custos operacionais — com as sobrecargas de combustível a quase duplicar nos voos entre o Japão, a América do Norte e a Europa — e de transformação estrutural da divisão de carga. A continuidade estratégica é, por isso, um fator relevante a acompanhar nos próximos meses.
Fontes: ANA Holdings, Air Cargo News, FreightWaves, The Loadstar, Nippon.com